Como parece difícil o meu equilíbrio emocional...
Ontem tive oportunidade de me confrontar com um buraco negro no cérebro! A que atribuí-lo? Ao automatismo que funciona para lá da consciência? E que não deixa vestígios nem registos?...
Tudo o que fiz se apagou. Da memória... Depois, um elo perdido alertou-me, gerou um pânico que me aturdiu, consequência -- penso eu -- do que ainda há pouco me aconteceu em Valência. Ainda que sem certezas, que só existem quando são absolutas, talvez mais que ter sido roubado tenha sido vítima de uma distracção fatal...
E ontem a situação repetiu-se: a distracção, o esquecimento do que tinha acabado de fazer...
Tudo começou por não encontrar o telemóvel, por dar pelo seu desaparecimento... (o que desde logo era uma impossibilidade -- o que tive sempre presente ainda que o desvalorizasse -- já que o teria utilizado na chamada feita pela A. através da alta voz no carro e na viagem que tinha acabado de fazer).
De seguida pensei na bolsa onde o guardo, bem como a carteira (a carteira!..), e as chaves... Também não a encontrava!
Já na companhia da A., que viera em meu socorro, desci pela terceira vez as escadas e fui (fomos) à garagem ver do saco. Onde estariam o telemóvel e a carteira... Nada! Novamente... A A., expedita, ligou para mim e eis que o telemóvel respondeu!... estava no compartimento da porta do carro... foi uma primeira vitória!
Mas do saco é que... nada. E quem diz o saco, diz a carteira, quem diz a carteira diz os documentos todos... Ó vertigem! Outra vez, não!
Subi e... reparei num pequeno caderno que recordava ter colocado no saco entretanto desaparecido... como era isto possível? Não valorizei imediatamente esta conclusão porque a confiança em mim próprio já estava nesse momento suficientemente abalada...
Quando encontrei na mesa o referido caderninho fez-se luz no meu espírito: automaticamente, como automaticamente tinha despejado o saco e o tinha arrumado no sítio habitual, corri para ele... e lá estava o saco, no seu sítio habitual! Sem fôlego, acorri ao local aonde pouso também as chaves e a carteira... lá estavam eles!
Muito stress, muito esgotamento... ainda não estarei toralmente recuperado do recente choque do desaparecimento da carteira e dos documentos em Valência...