Casida Vll, De la Rosa. Chavela Vargas. Homenaje a Federico García Lorca
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Não te mexas.
O futuro é perder o equilíbrio,
cair até bater no fundo
de uma insónia hora a hora
interrompida para respirar
à superfície da luz.
Não te mexas, ainda.
Não hesites, não assustes o sonho
pousado em teia sobre ti,
não agites as águas.
E talvez a vida se deixe
ficar à margem
com os seus dias armados de pedras.
MENINA CALÇANDO A MEIA
[Estufa-Fria, 1966]
Inês Dias
A matéria dos sonhos e dos pesadelos é surrealista. Isto quer dizer, como dizia o meu amigo J., que o surrealismo não é uma categoria artística, mas que faz parte da essência da arte. E que o sonho e o pesadelo são os temas artísticos por excelência.
Esta noite, tive uma noite cuja sombra se projectou sobre o dia.
Depois de um primeiro sono, breve e pesado como o chumbo, acordei sobressaltado de um enorme pesadelo. Uma angústia de rebentar o peito. Acordei por falta de ar. Acordei... escapei...
Pausa para fazer da noite dia, durante algum tempo. Deitei-me outra vez, vencido. E acordei novamente em pânico, embora mais comedido, já que no primeiro cheguei a sentir os meus próprios ossos a amolecerem, a derreterem-se, a desintegrar-se... Para quem viveu uma grande angústia, uma pequena angústia pode ser um lenitivo. Talvez por esse caminho chegasse a poder sonhar...
Não há salvação, há salvações.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
[a impunidade de falar para as paredes...]
Sou mesmo um tonto! Mandam uma bola para o ar e eu penso logo que é para mim...
Ler uma palavra aqui e outra ali e pensar que a frase tem sentido - e que o percebemos - é próprio das almas ansiosas do que querem ouvir.
A comunicação, e chamar comunicação a este conjunto de sub e mal-entendidos é já um exagero, é sempre esquiva e incerta. É mais um jogo de criptografias, com chaves trocadas. Em minha defesa apenas posso alegar a minha inocência. Mas este alibi apenas cobre os actos e não as suas consequências. Depois da seta disparada só o paradoxo de Zenão a pode travar antes de atingir o alvo: e Zenão só existia para quem acreditava nele...
Paciência. A sinceridade não desculpa tudo, de certa forma ainda carrega mais as tintas.
Está tudo dito, já posso ter a paz do silêncio.
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